Transtornos Alimentares

UMA PALAVRA AMOROSA SOBRE DISTÚRBIOS ALIMENTARES

Não pretendo, aqui, escrever (falar com você) de forma linear (minha intenção é sim falar através do vai e vem das ideias). Sei que me entenderá (se identificará) com esta linguagem de palavras recheadas de sensações, tão familiares a você.

Quem tem um distúrbio alimentar (apesar de não gostar deste nome, não consigo representar o que é isso sem escrevê-lo, pois, é ele que simboliza perfeitamente como é pesado lutar contra isso) irá entender o que estas mensagens representam, ainda que eu não me explique de forma tão detalhada.

Falo (escrevo) aqui sobre um mundo (uma realidade muitas vezes guardada à sete chaves) de muito mais perguntas do que respostas (muito embora a perseguição – até mesmo obsessão – por respostas (ou seriam soluções?) faça parte deste universo.

Muitas (inúmeras) vezes, “viver bem” é um sonho utópico, já que a luta diária é para sobreviver…

Eu realmente como para esvaziar (encontrar-me com este vazio, apesar de odiá-lo) e sinto muito prazer com isso (que relação é esta de amor e ódio?) Como me ver livre disso se encontro tanto prazer nesta sensação?

Busco (caço) alimentos que me levem ao ato de conseguir encher (a qualquer custo) até expulsar e encontrar o alívio. Como abrir mão deste alívio tão necessário (viciante) para mim?

Por alguns minutos ou até mesmo horas (a percepção de tempo se tornou “confusa”: ansiedade é um estado bem familiar), sinto estar presa (aprisionada) dentro do meu próprio corpo. Neste momento, minha mente traz uma angústia, verdadeira fúria quando sinto que alguma coisa (pessoa, circunstância) pode ameaçar a possibilidade de realizar o ato esperado (desejado). Depois de conseguir o que esperava (desejava), sinto que a mente se acalma e as mesmas pessoas (circunstâncias), minutos antes odiadas, passam a ser aceitas (amadas). Por que preciso me odiar (odiar-me) para me amar (amar-me)? Por que preciso me destruir (destruir-me) para me reconstruir (reconstruir-me)?

Lembro-me (sou capaz de reviver no meu corpo) o momento (período da vida) em que tudo começou. De estar destruída (dilacerada, buscando uma corda para me agarrar) e de ter encontrado dentro do meu corpo o que a minha fraqueza (cansaço) já não me deixava crer que encontraria fora dele. A partir daí, vi o espelho me devolver minha autoestima perdida (massacrada). Sentir-me renascer (sair do fundo do poço). Se sou outra pessoa agora, é possível voltar ao momento anterior ao distúrbio? Enfim, há cura para ele?

Minha escuta é meu instrumento de trabalho e a sua cura vem quando você, finalmente, se der conta que pode (consegue) se escutar.

Venha contar a sua história para mim.

 

 

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