O encontro com o distúrbio – uma imersão no seu corpo

A imersão no seu próprio processo é exatamente o que lhe dará maior clareza sobre este céu de nuvens negras que pairam sobre a sua cabeça. E, para que tal imersão seja feita precisamos ir ao encontro do que acontece no seu mundo interior, olhando de frente para esta realidade. Só, assim, teremos a chance de nos vermos livres do que, hoje, lhe aprisiona ao seu próprio corpo.

Vamos nos ater, primeiro, neste estado, em que você se sente preso ao seu próprio corpo. Não se assuste, pois, a sensação é exatamente esta. Todos os dias, assim, você irá ter um período, que para uns é de manhã, para outros à tarde ou à noite, para passar por este momento de “libertação”. Ou seja, se você está sob o estado que denominamos “transtorno alimentar”, você elegerá, de forma inconsciente no início do processo, um período do seu dia para viver esta mesma experiência, de sentir o seu corpo se livrar daquilo que você, como todos os dias, de forma planejada e arquitetada, ingeriu já com a forte intenção de expulsar do seu corpo para poder sentir esta sensação de liberdade para ir para o mundo.

Todos os dias o cenário é o mesmo, você acredita ter que passar por esta experiência para poder sair do seu mundo interior, que lhe aprisiona, para o mundo exterior, onde você pode ter a sua vida cotidiana. Muitas vezes, quando você não consegue, por motivos externos, passar por este momento tão necessário à você, sente-se mal e fica ansioso para que o dia seguinte chegue e você possa retomar o hábito que lhe dá prazer e liberdade ao mesmo tempo. Você precisa, então, de um tempo sozinho para ter esta experiência, já que, muitas vezes, há muito tempo, poucas pessoas sabem o que acontece com você, seja por vergonha, medo ou por simplesmente acreditar que esta experiência é sua e que não há necessidade de compartilhá-la com mais ninguém.

Então, você aprende a escolher os alimentos que serão seus aliados para facilitar a execução do ato de colocar para fora do seu corpo aquilo que você realmente acredita que deve sair. Assim, ao se deparar, na sua rotina, com alimentos que você não consegue enxergar como capazes de ajudar o seu corpo a ativar o mecanismo de expulsão, começa a acreditar que não há sentido para ingeri-los. Você começa a procurar, de forma obsessiva, tipos de alimentos que acredita serem capazes de estimular o mecanismo fisiológico do seu corpo que resulta no ato de colocar aquele alimento para fora sentindo, depois disso, a sensação de limpeza e liberdade.

 

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