Neofobia alimentar: uma das dificuldades da alimentação infantil

Neofobia alimentar: uma das dificuldades da alimentação infantil

Muitas crianças, hoje, têm uma alimentação pouco diversificada, o que traz prejuízo às suas necessidades nutricionais. Diante deste quadro, os pais investem em maneiras de tentar fazer com que os filhos tenham um cardápio mais variado e nutritivo. Porém, é grande a dificuldade que os pais encontram em quebrar a resistência das crianças em experimentar novos alimentos. Muitos fatores podem estar por trás desta resistência. Um destes é a neofobia alimentar, ou seja, o medo de experimentar alimentos novos.

Este medo pode estar relacionado às primeiras experiências com os alimentos que a criança teve. Um ambiente estressante, marcado por discussões à mesa; uma imposição ou ansiedade dos pais para que a criança coma determinado alimento são alguns exemplos que podem fazer com que a criança desenvolva este medo como um mecanismo de defesa que ela mesma cria. Muitas vezes, este mecanismo de defesa é inconsciente em um primeiro momento, pois, na infância, a capacidade de racionalizar e de trazer para o consciente o que se está sentindo ainda não está totalmente formada.

Para começarmos a trabalhar esta questão, é necessário trazer à tona as experiências envolvendo os alimentos pelas quais a criança passou. Esta é uma maneira de fazer com que estes momentos possam ser revisitados com um outro olhar, sob uma ótica nova, que mantém o distanciamento da experiência vivida. Com isso, é possível criar uma maior separação entre o que realmente aconteceu e os sentimentos aflorados durante o episódio.

Neste momento, é importante, para a criança, que o profissional especializado em neofobia alimentar, a ajude a dar um novo significado para o que aconteceu. Isso pode ser feito com a apresentação de uma nova interpretação para o que a criança, naquele momento, internalizou como resultado da experiência; fazendo-a entender que nós imprimimos significados próprios a cada experiência vivida, de acordo com a nossa personalidade e criação.

Com a ressignificação dos acontecimentos, muitas vezes caracterizados por traumas que desencadeiam a posterior fobia, as crianças começam a se “libertar” de pensamentos que as afastam do universo dos alimentos e passam a olhar a sua nutrição com mais cuidado, envolvimento e prazer. Este é o início do contato com um mundo novo e, até o momento, desconhecido para ela. Para muitas crianças, conseguir falar sobre alimentação já é uma grande conquista, já que o medo de entrar em contato com os alimentos e com a relação que elas têm com estes é tão grande que uma conversa que envolva este tema é assustadora.

Ao abrirem-se ao contato com os alimentos, o comportamento, antes caracterizado pela aversão ao assunto e pelo afastamento da forma como a criança se alimenta, começa a mudar. Assim, a criança consegue passar de um estado comportamental e psíquico em que se encontra para outro. Este movimento é um dos parâmetros de mudança de comportamento alimentar, que fará com que a criança, aos poucos, desenvolva maior autonomia sobre a sua própria alimentação; assim como percepções ligadas aos aspectos sensoriais dos alimentos. Com isso, passa a reconhecer novos sabores, cheiros e texturas como descobertas prazerosas.

Portanto, a neofobia alimentar na infância deve ser vista como possível de ser trabalhada e melhorada, o que, por consequência, ajuda na criação de uma relação mais saudável com os alimentos. Além disso, o desenvolvimento de um comportamento alimentar que facilite a adesão à uma alimentação mais variada e nutritiva, resultará em ganhos para a saúde da criança, não só nesta fase da vida, mas também a longo prazo.

Serviço:

Nutricionista: Ariane Bomgosto

Consultório:

Shopping Downtown – Bloco 3 – Espaço Médico Infantil

Telefone: 3171-3171

Site: www.arianebomgosto.com.br

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