Saiba como ajudar seu filho que tem fobia alimentar

Atitudes como não querer permanecer à mesa, manifestar repúdio e aversão aos alimentos servidos ou só querer certos tipos de comida podem ser vistas como rebeldia de crianças mimadas. Mas estes são alguns dos sintomas da fobia alimentar, um problema que afeta principalmente os pequenos.
— É um medo excessivo em experimentar alimentos. A criança não consegue nem colocar a comida na boca e fica muito nervosa diante da mesa — afirma a nutricionista comportamental Ariane Bomgosto.
O problema pode começar a partir dos 6 meses de vida (quando criança deixa de consumir apenas do leite materno) e ser levado até a vida adulta. Ele pode surgir a partir de um evento traumático, como engasgo ou vômito provocado por algum alimento.
— As papinhas dadas às crianças estão muito liquidificadas e, por não conterem alimentos sólidos, não ajudam a criança a desenvolver a mastigação. As famílias ficam tão apreensivas com um possível engasgo que provocam na criança um medo de comer — diz Camilla Estima, nutricionista que trabalha com comportamento alimentar.
O problema à mesa pode causar sérias consequências para os pequenos, que vão da saúde ao convívio social.
— A restrição de um grupo de alimentos impacta na obtenção dos nutrientes que vêm deles. Assim, o crescimento da criança pode ser prejudicado — alerta Camilla. — Ela pode se isolar e não participar de eventos que incluam os alimentos que rejeita — completa Ariane.
Para tratar esta fobia é necessário buscar ajuda profissional de psicólogo ou nutricionista. Os pais devem têm papel fundamental.
— Eles são os principais personagens deste tratamento. Precisam olhar para seus filhos, pois não há fórmula de bolo para resolver esse problema — finaliza Ariane.
Para colocar em prática
Coloque pequenas porções de alimentos. Para compor a refeição, ponha um alimento que ele ainda não conhece ou que ele tenha rejeitado junto com outros que ele já aceite. Um prato todo de alimentos que ele nunca comeu ou de que não gosta pode assustá-lo e fazer com que ele não coma.
Ofereça o mesmo alimento diversas vezes, dando um intervalo de uma semana para a nova tentativa. O paladar infantil muda com muita facilidade e um alimento hoje não aceito pode fazer parte da rotina alimentar da criança amanhã.
Caso a criança tenha passado por um episódio traumático com algum alimento, como vomitar ou engasgar, não é aconselhável insistir que coma este alimento se ela o recusar. A insistência pode fazer com que a aversão aumente. No entanto, os pais não devem deixar de incluir este alimento em seus pratos durante as refeições para despertar curiosidade na criança.
Não utilize distrações para fazer o seu filho comer. Isso não o ajudará a reconhecer os seus sinais internos dos momentos de fome e saciedade. O ideal é estimular a criança a comer prestando atenção na textura, cheiro e sabor dos alimentos, além das sensações que aquele momento traz a ela.
Aproveite a fantasia infantil e faça a criança se colocar no lugar de seu personagem favorito. Lembre, por exemplo, que as princesas comem muita fruta para ficarem bonitas ou que os super-heróis precisam de legumes para ficarem fortes.
Não use os alimentos como recompensa ou forma de demonstrar afeto. As crianças podem fazer associações entre doces e guloseimas a recompensas por terem comido um outro alimento. Com isso, supervalorizam os doces e tendem a querer que estejam sempre presentes em sua rotina alimentar.
Com o intuito de ajudar as crianças a aprenderem a se controlar e se acalmar, os pais podem, ao perceberem a perda de controle dos filhos, chegarem perto deles e pedirem para que eles prestem atenção à sua respiração até que eles se sintam calmos e comecem a perceber a reação do seu corpo naquele instante.
Quando uma criança apresenta um quadro de seletividade alimentar, identifique em qual dos dois perfis o seu filho se encaixa: se muda as suas preferências alimentares constantemente ou se apresenta uma aversão sistemática a algum alimento específico. Após identificar, os pais devem tentar entender, junto com um nutricionista, a peculiaridade apresentada pelo seu filho.
Perguntar à criança o que a mãe/pai gostam de comer, como comem, observando qual a percepção da criança sobre os hábitos alimentares dos pais. Pedir ajuda da criança para fazer o almoço de domingo, deixando que ela escolha o cardápio, reforçando que almoçar junto é especial.
Ao comer fora de casa, explique à criança como montar o seu prato nutritivo e gostoso, não deixando de fora os legumes, os vegetais e as folhas verdes. O objetivo é desenvolver a competência alimentar da criança para ajudá-la a aprender a montar o seu prato fora de casa, aumentando a sua consciência sobre a sua alimentação.
Fonte: Nutricionista Ariane Bomgosto

Publicada no Jornal O Globo.

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